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Última atualização: 28/06/2013
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Mensagem do Organizador

O Safety nasceu em 2008. Filho de questões pessoais, vem crescendo e já tem vontade própria. Os padrinhos – tantos – apoiaram e mostraram os caminhos. Nasceu à fórceps, ainda não caminha sozinho e precisa de ajuda de todos. É de minha responsabilidade e não desistirei. Não adianta pedir para sair, pois até as caveiras apoiam esta luta.

Pela sexta vez um novo Safety. Nunca é igual. Venha aprofundar a discussão e propostas. Se você quizer discutir um tema mande um email para mim: alfredoguarischi@yahoo.com.br.

O Safety não certifica nada, apenas debate fatos e só visa o lucro social. Nosso site permanente www.safetymed.com.br continua lento e em busca de ajuda.

Muito tem ocorrido no estudo da Segurança do Paciente e diversas diretrizes têm sido propostas. Não existe solução quando o diagnóstico não é correto e completo. Qual o diagnóstico?

Pouco adianta importar soluções, bem como reinventar a roda é perder tempo. O Ministério da Saúde em 1 de abril deu um importante passo. O Plano Nacional de Segurança do Paciente pode criar uma estrutura adequada para discutir o tema.

O sistema de saúde é quase do tamanho da indústria do petróleo, respectivamente 8,8% e 10% do PIB brasileiro. Não é um mau negócio, mas vai mal das pernas... No Brasil temos um gravíssimo problema no ensino e no regime de trabalho com TODOS as categorias de profissionais de saúde.

As escolas do sistema de saúde de excelência são poucas. As vagas para residência médica ou estágios com supervisão adequada, são insuficientes. A imensa maioria prefere frequentar um curso do que suas atividades regulares, como o internato. Com alta mensalidade, organizados e estruturados, mantêm altos indices de aprovação nas provas de residência médica. Na residência médica fica claro o desastre, pois os “biônicos aprovados” não conhecem um doente de carne e osso, apenas os de papel e em fotos. Pseudo-Pós-graduações ou estágios passam ser o primeiro emprego – mão de obra barata e de má qualidade. Plantões bem remunerados competem com o ensino formal. O resultado destas armadilhas será sentido em poucos anos.

Nos países desenvolvidos também ocorrerem erros iguais aos que ocorrerem no Brasil. Erros ocorrem em hospitais privados famosos, que atendem a elite do PIB brasileiro, semelhantes aos dos hospitais públicos. A diferença está na frequência, gravidade, publicidade, repercursão social, apuração dos fatos e encaminhamento desta questão, no mundo e no Brasil.

A punição em caso de imprudência, negligência e imperícia é o justo. A complexidade está na definição destes termos, que varia conforme o sistema de saúde e quem é a vítima. Erros voluntários cometidos de forma sabidamente inadequada não é um erro, é um crime, independente do local ou do profissional.

Humanos erram com frequência, mas a consequência do erro (dano) só ocorre quando existe uma conjugação de fatores, muitos dos quais sem aparente relação. Os aspectos jurídicos e econômicos acabam prevalecendo. A busca pela punição vira regra. Com isso perdemos a oportunidade de entender o porquê e como realmente ocorreu o erro, independente de ter havido dano.

Se fala tanto em Segurança do Paciente principalmente por três motivos: o problema existe, pode atingir qualquer pessoa e custa caro. A imprensa faz seu papel. Os trabalhos científicos demonstram que o problema é mundial e não apenas de paises em desenvolvimento. E, principalmente, porque a conta paga ficou alta demais e todos, agora, sentem que existe um grave problema estrutural no sistema de saúde. Esta é a dura realidade.

A epidemia de AIDS só começou a ser vencida quando ficou claro que o problema existia. A Segurança do Paciente não é causada por um vírus, mas principalmente por seres humanos. A cura do AIDS está perto e a Segurança do Paciente está longe.

Como o Fator Humano é o mantra do Safety e esta questão não traz atrativo econômico, o congresso desperta pouco interesse de patrocínio. Ter seu nome ligado a algo que pudesse lembrar o que não deu certo, tem sido outro obstáculo. Mas, nestes cinco anos, destemidos patrocinadores permitiram viabilizar o congresso. Sem eles não teríamos caminhado tanto. O Safety precisa que você venha nos ajudar, pois não há almoço de graça.

Repetindo Mario Quintana, o poema não muda o mundo, mas muda os homens que podem mudar o mundo. O Safety não vai mudar a medicina, mas mudará alguns que podem fazer uma medicina melhor.

Aguardo vocês.

Alfredo Guarischi
Organizador do Safety